Deus e o diabo na terra do sol

          "O sertão vai virar mar..."



“Deus e o Diabo na Terra do Sol” é uma leitura teatral do filme homônimo de Glauber Rocha, que mudou os rumos do cinema brasileiro na década de 1960. A montagem foi premiada na Fita (Festa Internacional do Teatro de Angra) e em outros festivais pelo Brasil.

A montagem é recheada de referências culturais e históricas. Retrata vidas marcadas pela pobreza e tangidas pela força da religiosidade, pelo constante conflito entre o bem e o mal – Deus e Diabo – e pela luta por sobrevivência. No centro da trama está o vaqueiro Manuel que, em defesa de seu orgulho, dignidade, ou qualquer coisa que o valha, mata um coronel que tenta extorqui-lo. Perseguido pelos homens do coronel, Manuel foge com sua mulher, Rosa, e, no desespero, se une ao grupo liderado pelo religioso Santo Sebastião. A partir daí, tem início uma jornada épica em busca de uma possibilidade de viver para além das necessidades físicas; uma caçada sofrida em busca de um indivíduo potente e consciente do seu lugar e da sua função no mundo.

Deste mote é urdida a teia de acontecimentos (pessoais e políticos) que findam por elaborar uma fotografia panorâmica de um período da história do país por meio da “dramática aventura de um homem que se perde entre um deus negro e um diabo louro, guiado por uma testemunha cega e perseguido pela morte”, em palavras do próprio Glauber.

Segundo o diretor Jefferson Almeida, a montagem representou um grande desafio para o grupo, que tem como foco estudar o papel da música na cena teatral: “Tivemos que transportar para o teatro uma obra criada para a linguagem cinematográfica, para tanto, além de uma cena que desse conta dos diversos ambientes e situações, precisamos elaborar uma cena em que a música composta pelo Sérgio Ricardo para a trilha do filme estivesse plena, cumprindo suas funções musicais, mas aliada à ação dramática; aqui, a música é parte do texto do espetáculo”, explica o diretor.

A causa motora para a realização do projeto, em princípio, foi a continuidade do trabalho de pesquisa cênica iniciado pela Cia. com a montagem de “Calabar, o elogio da traição”, de Chico Buarque e Ruy Guerra. Abrigada pela UNIRIO desde sua fundação, em 2008, a então Cia. Provisória, se dedicou a elaboração de um espetáculo no qual pudesse investigar ainda mais a fundo a relação da música com a cena, o universo épico e com o qual pudesse, ainda, discutir questões pertinentes da historia e da cultura brasileiras. Assim, em outubro de 2011, “Deus e o diabo na terra do sol” estreou no âmbito universitário; agora, depois de se apresentar em uma dezena de festivais pelo país, faz a sua estreia no circuito profissional carioca, deixando de ser provisória e transformando-se na Definitiva Cia. de Teatro.

Ator, diretor e dramaturgo, Sérgio Fonta elogia a adaptação do longa para o teatro. “Quando Glauber Rocha, nos anos 1960, fez este filme que entrou para a história do cinema brasileiro, talvez não imaginasse que sua obra um dia saltaria da tela para o palco. É o que acontece através do diretor Jefferson Almeida nessa montagem. Estão no espetáculo a secura e a violência de um nordeste árido, com seus personagens fortes ou desvalidos, mas todos carismáticos. Estão lá com toda a força de que o teatro é capaz. Estão lá Deus, o diabo e Dionysos na terra do sol. Brilhando”, conclui Sérgio.

FICHA TÉCNICA:
Argumento - Glauber Rocha
Diálogos - Glauber Rocha e Paulo Gil Soares
Música – Glauber Rocha | letra
     Sérgio Ricardo | música
Direção - Jefferson Almeida
Assistência de direção - Tamires Nascimento
Direção musical - Renato Frazão
Elenco - Betho Guedes, Eduardo Bastos, Guga Almeida, Hector Gomes, Jefferson Almeida, João Vítor Novaes, Paula Sholl, Raphael Marins e Tamires Nascimento.
Stand-in – Marcelo de Paula.


Preparação vocal - Laura Lagub
Treinamento de ator – Daniel Chagas
Cenário - Lia Farah e Rodrigo Norões
Figurinos e adereços - Arlete Rua e Thaís Boulanger
Confecção de bonecos – Carlos Alberto Nunes
Visagismo - Rodrigo Reinoso
Iluminação - Yuri Cherem e Lívia Ataíde
Operação de luz - Lívia Ataíde
Músicos - Renato Frazão e Diogo Brandão
Assistente de Produção – Nicholas Bastos
Produção - Jefferson Almeida e Tamires Nascimento
Direção de produção - Sandro Rabello e Neila de Lucena
Realização - Definitiva Cia. de Teatro e Diga Sim! Produções

Fotos:














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